{"id":407,"date":"2023-04-07T17:02:26","date_gmt":"2023-04-07T20:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/desejodeviver.com.br\/?p=407"},"modified":"2023-05-31T17:44:55","modified_gmt":"2023-05-31T20:44:55","slug":"diario-de-um-imigrante-cap-5-sintra-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/desejodeviver.com.br\/index.php\/2023\/04\/07\/diario-de-um-imigrante-cap-5-sintra-parte-2\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio de um imigrante- Cap 5"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tacho-real-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-408\" width=\"839\" height=\"557\" srcset=\"https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tacho-real-3.jpg 550w, https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tacho-real-3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 839px) 100vw, 839px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Na \u00faltima parte do epis\u00f3dio anterior da s\u00e9rie&nbsp;<strong>\u201cDi\u00e1rio de um imigrante\u201d,&nbsp;<\/strong>eu estava parado na porta do Restaurante Tacho Real, muito conhecido em Sintra, pela boa comida e ambiente. Aquele poderia ser o meu primeiro emprego fora do Brasil, mas como seria atuar fora da minha \u00e1rea? Eu nunca sequer havia imaginado um dia trabalhar como gar\u00e7om- n\u00e3o porque n\u00e3o valorize a profiss\u00e3o- muito pelo contr\u00e1rio, pois sei o quanto \u00e9 dura e muitas vezes desvalorizada. O meu receio era porque n\u00e3o conseguia me imaginar equilibrando copos e bandejas. Quem me conhece sabe bem que sou distra\u00eddo e sem coordena\u00e7\u00e3o motora. Mas era preciso dar o primeiro passo e eu dei!<\/p>\n\n\n\n<p>Ao entrar naquele restaurante portugu\u00eas meu cora\u00e7\u00e3o saltava literalmente pela boca. Eu olhava para aquelas mesas vazias e j\u00e1 vislumbrava a cena c\u00f4mica.&nbsp;<strong>Tomada 1:<\/strong>&nbsp;Restaurante lotado. Entra um gar\u00e7om apressado, no caso eu, tentando equilibrar uma bandeja.&nbsp;<strong>Tomada 2.<\/strong>&nbsp;Corta para o gar\u00e7om chegando \u00e0 mesa e trocando os pedidos. Logo em seguia, muito nervoso ele derruba um dos pratos no colo de uma cliente. Come\u00e7a a confus\u00e3o. Chega a dona do restaurante e olha furiosamente para o gar\u00e7om que todo sem jeito come\u00e7a a limpar toda sujeira.&nbsp;<strong>Tomada 3<\/strong>. Gar\u00e7om \u00e9 demitido e ainda tem que pagar o preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tacho-rea-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-410\" srcset=\"https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tacho-rea-2.jpg 800w, https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tacho-rea-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tacho-rea-2-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Restaurante por dentro. Requinte portugu\u00eas em todos os detalhes e gastronomia de alta qualidade<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Essa era apenas uma das mil cenas que minha mente de roteirista criou em uma fra\u00e7\u00e3o de segundos at\u00e9 a chegar de Maria Isabel, a propriet\u00e1ria. Era uma portuguesa muito simp\u00e1tica e jovem. Toda sorridente pediu para que eu me sentasse e contasse um pouco de minha experi\u00eancia. Eu queria sair correndo dali. Como contaria algo que eu n\u00e3o tinha? Podia mentir&nbsp;<strong>(muitos imigrantes quando buscam emprego no exterior e est\u00e3o ilegais fazem isso).&nbsp;<\/strong>Mas no meu caso eu n\u00e3o queria mentir porque j\u00e1 no primeiro gesto como gar\u00e7om ela descobriria toda verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, eu tamb\u00e9m n\u00e3o queria confessar a principal raz\u00e3o que tinha me levado \u00e0 Portugal. Preferi omitir o contexto e dizer que havia viajado por um motivo pessoal e tamb\u00e9m porque queria vivenciar uma nova cultura. Assim estava bem porque isso n\u00e3o era uma mentira. Confessei a ela sobre minha experi\u00eancia no ramo, ou seja, minha total inexperi\u00eancia j\u00e1 que nunca havia levado uma bandeja na minha vida ou atendido uma mesa. No final, ressaltei que necessitava daquele trabalho para ficar no pa\u00eds e que ela me desse uma oportunidade. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vendo minha sinceridade, Maria Isabel abriu um largo sorriso e sussurou baixinho ao p\u00e9 do meu ouvido que isso n\u00e3o seria problema desde que eu me esfor\u00e7asse para aprender e que nunca faltasse ao trabalho sem uma justificativa forte porque ela contaria comigo. Al\u00e9m de mim s\u00f3 haveria outro gar\u00e7om na casa. Maria explicou as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e disse que eu teria uma folga semanal, e que nos finais de semana era o dia de maior movimento. O hor\u00e1rio era desgastante. Abria um pouco antes do almo\u00e7o e fechava \u00e0s 15h. Depois reabria \u00e0s 19h e ia at\u00e9 meia noite. Para quem estava acostumado a trabalhar em um hor\u00e1rio comercial e ter folga aos finais de semana esse seria um desafio a ser vencido.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que eu n\u00e3o tinha outra escolha. Sem documentos e sem indica\u00e7\u00e3o, seria praticamente imposs\u00edvel trabalhar em Portugal. S\u00f3 me restariam os subempregos. Eu tive muita sorte de ter a indica\u00e7\u00e3o de Angelo e tamb\u00e9m deles me aceitarem trabalhar sem documenta\u00e7\u00e3o. De longe, aquele n\u00e3o era o emprego dos meus sonhos, mas eu havia viajado com poucos recursos e se quisesse durar mais tempo ali teria que me adaptar \u00e0 nova realidade. (<strong>Aqui abro um par\u00eanteses para dar o primeiro conselho para quem deseja imigrar).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u201c<strong>N\u00e3o viaje ilegal! Caso o fa\u00e7a, saiba que a oportunidade de dar errado \u00e9 muito grande, pois cada vez mais a fiscaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 severa, e por isso, os empregadores n\u00e3o d\u00e3o oportunidade para quem n\u00e3o tem permiss\u00e3o para trabalhar. Se mesmo assim voc\u00ea quiser arriscar, saiba que o subemprego \u00e9 a realidade da maioria dos imigrantes, e at\u00e9 mesmo quem tem papel passa por essa realidade (eu passei muitas vezes por essa situa\u00e7\u00e3o)\u201d. &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Condi\u00e7\u00f5es de trabalho expostas e aceitas da minha parte, Maria me perguntou se eu podia come\u00e7ar naquele mesmo dia e que me emprestaria uma camisa branca de manga social. A cal\u00e7a tinha que ser preta e o uso do sapato social era obrigat\u00f3rio. Eu odiava usar roupa social, mas n\u00e3o tinha jeito. Eu j\u00e1 havia sido orientado por Angelo a ir \u00e0 entrevista com uma cal\u00e7a social e sapato. Ent\u00e3o, eles me emprestaram somente uma camisa de outro gar\u00e7om que havia sa\u00eddo. Maria tamb\u00e9m me apresentou a um jovem angolano muito carism\u00e1tico: Beto, e disse que ele seria as minhas \u201cm\u00e3os e p\u00e9s\u201d ali porque era um funcion\u00e1rio de extrema confian\u00e7a deles e muito experiente, e que me ensinaria toda a rotina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s as apresenta\u00e7\u00f5es, ela nos deixou e correu para a cozinha para supervisionar os \u00faltimos preparativos do almo\u00e7o. Muitos pratos j\u00e1 ficavam pr\u00e9-cozidos para facilitar na hora dos pedidos, principalmente os mais indicados da casa que sempre eram pedidos pelos clientes, como o famoso bacalhau portugu\u00eas. Beto me ensinou primeiro a montar as mesas. Elas deviam estar rigorosamente iguais com os talheres , copos, ta\u00e7as e guardanapos muito bem alinhados. O restaurante era refer\u00eancia em gastronomia e agora eu fazia parte daquela fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Beto e Maria Isabel haviam duas chefs de cozinha e uma terceira chef espec\u00edfica para o preparo das sobremesas- um dos carros chefes do local-. Eram doces t\u00edpicos e tradicionais da rica cozinha portuguesa. Uma das vantagens de se trabalhar em restaurante \u00e9 que a equipe toda almo\u00e7a e janta no local, e com isso voc\u00ea acaba economizando com a comida.<\/p>\n\n\n\n<p>Como bom brasileiro, tratei logo de me enturmar com as meninas da equipe, afinal de contas, passaria mais de oito horas por dia com elas e com Beto e era importante me abrir a pessoas de outras culturas. Todos eram portugueses, exceto Beto e eu. Neste primeiro dia lembro que ap\u00f3s terminarmos de arrumar todo sal\u00e3o principal e tamb\u00e9m de montar as mesas da terra\u00e7a, n\u00f3s fomos comer juntos com a equipe em uma mesa ao lado da cozinha. Uma das chefs, Mafalda, me trouxe toda feliz um prato de ensopado de peixe com batatas.&nbsp;<strong>Detalhe: eu odeio qualquer tipo de peixe e frutos do mar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sabia o que fazer. Negar era muito feio porque era o meu primeiro dia e n\u00e3o queria parecer mal educado mas eu n\u00e3o conseguia comer peixe. Era botar na boca e eu j\u00e1 tinha vontade de vomitar. Minha sa\u00edda foi comer as batatas e fingir que comia o peixe. Quando eles perceberam que eu n\u00e3o havia comido nada tive que disfar\u00e7ar e disse que era porque estava com o est\u00f4mago cheio ainda do caf\u00e9 da manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Almo\u00e7amos em menos de 20 minutos porque naquele dia tinha feito a entrevista. Ent\u00e3o, corremos para receber os primeiros clientes. Em quest\u00e3o de minutos todas as mesas estavam lotadas. Da\u00ed sim eu comecei a entrar em p\u00e2nico. As cenas que havia fantasiado em minha cabe\u00e7a passaram de um n\u00edvel c\u00f4mico a tr\u00e1gico. E se realmente acontecesse tudo aquilo? E se eu quebrasse aquela prataria cara? E se??? Eram muitas as d\u00favidas e a inseguran\u00e7a batendo forte. Beto sorria do meu desespero e pedia para eu me acalmar, mas eu me conhe\u00e7o bem. Odeio press\u00e3o. Eu fico muito desconcertado e inseguro quando sou pressionado e acabo me atrapalhando todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, a primeira mesa que eu fui atender eram de tr\u00eas casais de turistas ingleses. Se fosse para julgar pelas roupas e joias que estavam usando eram pessoas muito ricas e sofisticadas. Quando vi que falavam ingl\u00eas tive um bloqueio. Como atend\u00ea-los se eu n\u00e3o falava ingl\u00eas? Beto estava em outra mesa tirando os pedidos e Maria Isabel vendo o impasse veio me socorrer. Justo na minha estreia como gar\u00e7om o restaurante estava completamente lotado com maioria de turistas estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daquele momento fizemos um acordo. Quando eram clientes portugueses ou brasileiros eu tiraria os pedidos e de outras nacionalidades ficariam sob a responsabilidade de Beto e de Maria Isabel. Com isso, evitar\u00edamos &nbsp;problema com os clientes, principalmente erro nos pedidos, que era algo totalmente ruim para a imagem de um restaurante. As tr\u00eas primeiras horas passaram t\u00e3o r\u00e1pido que eu nem percebi, mas tamb\u00e9m n\u00e3o parei um minuto. Ia e voltava da cozinha, limpava mesas e montava mesa para os pr\u00f3ximos clientes- muitos ficavam as tr\u00eas horas seguidas-. Naquela tarde, \u00e0s 15 horas, Beto disse que eu poderia descansar e que deveria retornar \u00e0s 18h30 para a montagem do segundo turno: o jantar Ele ficaria dormindo ali mesmo em um colch\u00e3o improvisado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, ap\u00f3s minhas primeiras horas de trabalho eu estava t\u00e3o exausto que preferia mil vezes ter ficado dormindo no restaurante. Sem outra op\u00e7\u00e3o, sa\u00ed para conhecer a regi\u00e3o central, mas depois de duas horas j\u00e1 havia conhecido tudo e n\u00e3o foi uma experi\u00eancia interessante porque praticamente todo com\u00e9rcio fechava \u00e0s 15 horas. Quem trabalhava ali e tinha a vantagem de ir para casa descansar era maravilhoso. Esse n\u00e3o era o meu caso! Beto nunca me deixou dormir no restaurante porque dizia que os patr\u00f5es n\u00e3o gostavam nem que ele dormisse. O ideal seria eu retornar para Cac\u00e9m, mas entre ida e volta, e gasto com passagem, ia perder quase uma hora no trajeto e gastar muito com transporte.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ruadesintra.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-409\" width=\"840\" height=\"1242\" srcset=\"https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ruadesintra.jpg 564w, https:\/\/desejodeviver.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/ruadesintra-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ruas de Sintra logo depois do almo\u00e7o ficavam praticamente desertas e se enchiam de novo para o jantar <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A partir do meu segundo dia de trabalho, as pra\u00e7as p\u00fablicas se tornaram minhas melhores amigas. Era com elas que eu desabafava, chorava minhas m\u00e1goas e ficava quase quatro horas sentado porque j\u00e1 conhecia tudo ali e n\u00e3o havia mais o que ver, sem contar que tudo ficava fechado na hora do almo\u00e7o, exceto pequenos com\u00e9rcios, mas que eu j\u00e1 conhecia de tanto passar em frente para gastar tempo. Sou muito agitado e n\u00e3o conseguia ficar sem fazer nada. Era imposs\u00edvel dormir nas pra\u00e7as. Geralmente eu levava um livro e um caderno e aproveitava para escrever cartas. Cada dia escrevia para um amigo ou parente diferente, mas agora havia uma pessoa em especial para escrever: D\u00e9a, e essa foi minha salva\u00e7\u00e3o para aliviar aqueles dias angustiantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de gostar de todos, eu n\u00e3o suportava o trabalho. Era uma rotina estressante e me sentia como um rob\u00f4 revezando entre mesas e a cozinha, e depois j\u00e1 sabia o que me esperava: quase quatro horas sentado em um banco de pra\u00e7a onde as horas n\u00e3o passavam e aquilo me consumia. Ficar tanto tempo parado era a pior parte do dia porque isso me deixava mais cansado para o pr\u00f3ximo turno de quatro horas que teria de enfrentar at\u00e9 meia noite, e depois mais uma jornada de trem at\u00e9 minha casa. E no outro dia tudo de novo!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que fez toda diferen\u00e7a e que acalentou o meu cora\u00e7\u00e3o nas semanas seguintes de trabalho foi uma liga\u00e7\u00e3o que recebi no retorno do meu primeiro dia do restaurante. O telefone tocou por volta da 1 hora da manh\u00e3. Paula acordou assustada e veio me chamar. Disse que era do Brasil. Fiquei preocupado e morrendo de vergonha pelo hor\u00e1rio, mas ela me tranquilizou contando que era normal as pessoas se enganarem por causa do fuso hor\u00e1rio, pois no Brasil ainda era cedo. Quando eu escutei a voz do outro lado da linha era como se todo cansa\u00e7o, estresse e nervoso daquele dia tivesse passado instantaneamente. \u201cAmor\u201d. Foi a \u00fanica coisa que ouvi. Eu chorei ao ouvir aquilo. Era a voz de D\u00e9a, e eu podia reconhec\u00ea-la em qualquer lugar do mundo. Ela estava t\u00e3o longe fisicamente, mas era como se estivesse do meu lado. Eu podia sentir sua respira\u00e7\u00e3o, sua voz sussurrando e at\u00e9 o mesmo o seu perfume,<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 anos eu n\u00e3o sentia isso e como aquilo me deixava feliz. Eu havia atravessado um oceano para me libertar de algo que me aprisionava e me fazia infeliz, e agora o universo me enviava do outro lado desse oceano algo para alegrar meu cora\u00e7\u00e3o. Depois de anos de sofrimento, de ang\u00fastia, de frustra\u00e7\u00f5es e recolhimento eu voltava a sorrir de novo. Eu estava apaixonado. S\u00f3 que ainda existia dois grandes obst\u00e1culos para que nosso amor tivesse uma outra oportunidade: D\u00e9a era casada e apesar de eu estar sem as pr\u00f3teses n\u00e3o estava preparado para retornar ao Brasil e me assumir como eu realmente era. Isso me angustiava. Ser\u00e1 que algum dia eu teria coragem de voltar?<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que o destino, outra vez ele, sorrateiro como sempre, decidiu interferir de novo na minha caminhada. Duas semanas depois que eu havia chegado em Portugal um novo telefonema de D\u00e9a, desta vez, aos prantos, me fez repensar toda minha hist\u00f3ria at\u00e9 ali. Eu n\u00e3o esperava por aquilo. Era muita responsabilidade. E agora, o que fazer?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOTA DA REDA\u00c7\u00c3O:<\/strong>&nbsp;Os nomes dos personagens citados no texto foram trocados para manter a privacidade dos mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VEM A\u00cd<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo cap\u00edtulo de Di\u00e1rio de um imigrante, contarei o desfecho desse telefonema e de como minha hist\u00f3ria em Portugal sofreu uma mudan\u00e7a radical nas pr\u00f3ximas semanas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Publicado por<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhar como gar\u00e7om foi um dos primeiros desafios que tive de enfrentar na minha chegada \u00e0 Portugal. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":408,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[123],"tags":[51,15,17,40,98,97,96],"class_list":["post-407","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diario-de-um-imigrante","tag-imigrantesbrasileiros","tag-intercambiodeculturas","tag-vivernaeuropa","tag-imigrantes","tag-mochileiros","tag-portugal-2","tag-sintra-2"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.7 - 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